Proteção solar com roupas e acessórios
Veja o que realmente funciona para não “cozinhar” e nem torrar no sol do Brasil.
Conteúdo deste artigo:
- Introdução
- Direto ao Ponto (TL;DR)
- A Lição das Cores
- Camisetas e Calças
- Acessórios: Cabeça e Pescoço
- A Solução para os Olhos
- O Mito da “Economia de Protetor Solar”
- E Agora? Vale a pena?
- Referências
Introdução
Se você faz trilhas no Brasil, sabe que o sol não perdoa. E quando a recomendação de segurança é usar roupas compridas para evitar insolação, arranhões e carrapatos, muita gente entra em pânico: “Vou cozinhar vivo nesse calor?”
Nós também tínhamos esse pensamento. Por muito tempo, erramos feio na escolha das nossas roupas e pagamos o preço com muito suor e exaustão.
Hoje, depois de várias de trilhas sob sol escaldante, encontramos o equilíbrio utilizando a combinação e tipos corretos de vestimentas. Neste post vamos compartilhar nossa experiência real de proteção solar com roupas e acessórios, revelando o que levamos na mochila, de camisas a óculos.
Direto ao Ponto (TL;DR)
- O ponto chave: Jamais use roupas UV pretas ou escuras no sol. Cores claras são a chave para a manga longa ser fresca.
- No Corpo: Camisas de tecidos sintéticos leves (atualmente estamos usando modelos da Fila e Adidas e marcas da Decathlon como Forclaz/Quechua/Kalenji que atendem bem a isso. Para as pernas, calças-bermuda ou calças leves ou leggings com uma boa composição de tecidos (que seja confortável).
- Na Cabeça: Chapéu ou boné estilo “legionário” (com proteção de nuca) salva vidas.
- Nos Olhos: Para quem usa grau, lentes Transitions ou Clip-on (sobrepor). Para quem não usa, óculos UV400 tradicionais para passeios e estradas.
A Lição das Cores
Nós já usávamos camisas de manga comprida com proteção UV há algum tempo, mas cometíamos o maior erro de todos: só comprávamos roupas escuras.

Outro exemplo é o da Pedra da Macela (Cunha/SP), que é uma ladeira pavimentada e vários trechos sem sombra, a camisa preta absorvia todo o calor do sol e transferia para o corpo. O resultado era um calor infernal. A blusa protegia dos raios UV, mas nos “cozinhava” por dentro.
A virada de chave aconteceu quando passamos a usar modelos de cores CLARAS. O teste de fogo foi na Trilha das Sete Praias, em Ubatuba. O dia estava absurdamente quente, o sol de rachar, e não passamos dificuldade. Percebemos na prática que uma blusa UV clara e de tecido tecnológico é tão fresca (ou até mais) do que caminhar de manga curta com o sol queimando a pele direto.
Por que isso acontece? Enquanto as loções ou cremes protetores usam o FPS, as roupas usam o FPU (Fator de Proteção Ultravioleta). Segundo a Skin Cancer Foundation (referência mundial no assunto), um tecido FPU 50+ bloqueia 98% dos raios UV. Na física, tecidos escuros bloqueiam mais raios naturalmente, mas absorvem calor mais facilmente. Para uma camisa branca ser fresca e ainda assim bloquear o sol, ela precisa ter uma trama de fios muito fechada ou um banho químico de proteção. Ou seja: em dias quentes, invista em tecidos claros e de alta tecnologia.
Camisetas e Calças
Durante os anos fomos filtrando o que presta e o que não presta (com relação a vestimenta). Não temos patrocínio, então compramos e testamos na raça.
- As Camisetas Campeãs: Hoje, as melhores que usamos são as da Fila (linha Bio, com maior custo-benefício) e da Adidas. Os tecidos são absurdamente leves. Temos também Camisetas UV da Decathlon com suas marcas próprias (Quechua/Forclaz/Kiprun/Kalenji), quem também oferecem um bom custo benefício e ainda Camisetas UV da Salomon que é excelente, mas não compensa tanto o valor (somente se achar promoção!).
- Proteção para as Pernas: Usamos calça em 90% das trilhas como defesa física contra Insetos e Carrapatos. Revezamos entre modelos táticos/trekking que podem ser Quechua/Forclaz ou Salomon, Adidas ou Nike. Claro que usamos o bom senso. Na Trilha das Sete Praias, por exemplo, eu fui de shorts. O calor no litoral e a praticidade de só tirar a camisa para entrar no mar falaram mais alto.
Fator “Cecê”, Suor e Durabilidade
As camisas da Fila e Adidas secam muito rápido e não deixam um cheiro forte de “cecê” impregnado (a não ser que a situação esteja muito crítica, aí não há tecido que faça milagre!). As outras marcas que usamos são “normais” com relação ao odor e durabilidade.
O único ponto negativo? A camiseta da Fila, por ser ultrafina, puxou fios logo na primeira esbarrada em galhos. A da Adidas parece mais resistente, mas ainda está em teste. Além disso, as cores claras sujam de barro só de olhar. Mas a regra é clara: evitamos essas roupas mais frágeis se a trilha for de vara-mato extremo. Atividades extremas requerem roupas grossas (e aí assumimos o calor).
Acessórios: Cabeça e Pescoço
Um boné comum protege o rosto, mas deixa a nuca e as orelhas totalmente expostas. Para resolver isso, adotamos o boné legionário (aquele que tem uma aba de tecido atrás). Pode não ser o mais bonito, mas na trilha ele é rei. Cobre o pescoço todo, evita insolação e é super respirável.

A Solução para os Olhos
Muita gente esquece, mas o globo ocular também queima. Óculos não servem apenas para sair bonito na foto, são itens de saúde.
- Para quem usa grau: A dificuldade é em dobro. Para dirigir em rodovias, fazer trilhas 4×4 e passeios “comuns” em cidades e ponto turísticos, como na nossa Viagem no Litoral Nordestino, uso lentes Transitions XTRActive (que escurecem e clareiam sozinhas). Já para trilhas e atividades outdoor intensas, prefiro uma armação de fibra super leve, com lente de grau comum, mas com um sistema Clip-on (lente escura de sobrepor magnética). É prático e não pesa.
- Para quem não usa grau: O ideal é no mínimo óculos de sol tradicionais com proteção UV400. Para qualquer exposição prolongada no sol é indicado o uso do óculos de sol, para proteção e preservação da visão.

O Mito da “Economia de Protetor Solar”
Muitos blogs dizem que a blusa UV é ótima porque “faz você economizar protetor solar”.
Sendo brutalmente honestos: nós não conseguimos confirmar isso. Como temos que passar protetor obrigatoriamente no rosto, nuca e mãos, nós acabamos levantando a manga e passando nos braços também, mais por hábito do que por necessidade. Pode ser um desperdício? Talvez. Mas preferimos pecar pelo excesso.
Lembrando: Se for tomar banho na natureza, deixe o protetor secar bem no corpo antes de entrar na água para proteger o ambiente da poluição química.
E Agora? Vale a pena?
Com certeza absoluta. A proteção solar com roupas e acessórios deixou de ser “frescura” e virou Equipamento de Proteção Individual (EPI) nas nossas aventuras.
Se você for montar seu kit hoje, o nosso conselho é: fuja do preto/roupas escuras, invista em tecidos leves, não esqueça do pescoço e dos olhos e por último, aceite que a roupa vai sujar e puxar fio. Ela foi feita para proteger você, e não o contrário.
Referências
Sun Protective Clothing | Skin Cancer Foundation
How to Protect Yourself Properly from the Sun in the Mountains – Decathlon
Is UPF Clothing is Better Than Sunscreen? | Columbia
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